baixamos a luz; para que as sombras não reforcem os contornos das coisas. baixamos a luz para nos furtarmos aos detalhes. o diabo está sempre nos detalhes; são os detalhes que fazem de nós quem somos, somas longas de detalhes ao longo do tempo, dos anos.
baixamos a luz para não ver, para que não entrem sombras e contrastes olhos dentro, para que a sala esbatida não se encha de repente de memórias, de passados, cacos de sonhos. o diabo está sempre nos cacos; raramente nos reinventamos inteiros; as rugas não marcam os anos: são linhas finas de cola entre dois sonhos partidos.
baixamos a luz. como se o que se não vê não importasse, como se fechar os olhos criasse uma folha em branco. se o futuro fosse algo que se escreve a cada hora.
e subitamente és tu, por minha mão, quem apaga a luz, abre a janela, e deixa entrar o dia.
baixamos a luz para não ver, para que não entrem sombras e contrastes olhos dentro, para que a sala esbatida não se encha de repente de memórias, de passados, cacos de sonhos. o diabo está sempre nos cacos; raramente nos reinventamos inteiros; as rugas não marcam os anos: são linhas finas de cola entre dois sonhos partidos.
baixamos a luz. como se o que se não vê não importasse, como se fechar os olhos criasse uma folha em branco. se o futuro fosse algo que se escreve a cada hora.
e subitamente és tu, por minha mão, quem apaga a luz, abre a janela, e deixa entrar o dia.

