Sunday, February 07, 2010

 

Sentado a teu longe,
a tremer de ausência,
bebendo sem coerência
a nicotina das palavras.


Sentado a teu longe,
folheando as cartas.
Talvez tu não partas,
talvez eu não morra.


Sentado a teu longe,
fumando o passado,
passado a teu lado
por sítios felizes.


Sentado a teu longe
enforcando a alma.
Cortando, com calma,
as veias da mão.

 

não percebo. não és eu, que me alimento de memórias e de sonhos.

não és eu, que um só carinho consola.

és como o fogo, que segues e gastas e não bebes duas vezes na mesma fonte.

e eu, que sou água, nunca te perceberei

porque eu sou apenas sendo, tu só és em movimento

porque eu sou ficando, tu ficando só te gastas, consomes a terra onde poisas

não te apago por amor; tu só estando perto me consomes e destróis

e não és feliz porque eu não ardo, porque eu não sou como tu