Amei.
E amei tão perdidamente
que no meu amor perdido
me perdi.
A água, dizes,
tudo leva na torrente
mas meu coração partido
está aqui.
6 Julho 1992
poemas e outras coisas
Amei.
E amei tão perdidamente
que no meu amor perdido
me perdi.
A água, dizes,
tudo leva na torrente
mas meu coração partido
está aqui.
6 Julho 1992
não, não sou um barco errante
buscando um porto de abrigo
e o sorriso dos teus olhos
não é um farol na noite
nem serei um viajante
que de algo ande fugido
procurando nos teus braços
um lugar onde repouse
se te busco a companhia
se te procuro o olhar
se te olhar com ternura
ou se em sonhos te beijar
não será por seres praia
em que eu queira naufragar
mas para ser rio comigo
ir juntos até ao mar
não sou de fazer queixumes
sobre o que tenho ou não tenho
nem o que sou se resume
a de onde vou ou venho
mas mesmo sem ter desejo
de com quem os passos some
abro os meus lábios num beijo
o que me sai é o teu nome
A compulsão – esta noção de que há algo importante para fazer, para dizer – volta sempre, é sempre nova e sempre a mesma. Depois passa, como o fumo dos comboios na paisagem, numa terra em que o comboio já não traz nem leva ninguém senão memórias.